Operação Safra Desviada apura prejuízo milionário que pode superar R$ 140 milhões em Sorriso e região
Gaeco cumpre 39 mandados de busca no município e investiga esquema de desvio de grãos, fraudes fiscais e outros crimes ligados ao agronegócio.
Uma grande operação contra o crime organizado mobilizou Sorriso e diversos municípios do norte de Mato Grosso nesta semana. Batizada de Operação Safra Desviada, a ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público, com apoio da Polícia Civil e da Polícia Militar. A investigação apura a atuação de um grupo criminoso suspeito de fraudes e desvio de cargas do agronegócio, principalmente soja, milho e algodão.
O prejuízo inicialmente estimado chega a R$ 140 milhões, mas as autoridades afirmam que o valor pode aumentar conforme a análise de documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos. Segundo o delegado Hércules Gonçalves, trata-se de uma apuração complexa e ainda em andamento. “A investigação continua para esclarecer pontos que precisam ser aprofundados”, afirmou. O inquérito aponta possíveis crimes de organização criminosa, furto qualificado, falsidade ideológica, estelionato e lavagem de dinheiro, além de manipulação de registros internos e adulteração de notas fiscais.
Somente em Sorriso foram cumpridas 39 ordens judiciais de busca e apreensão, sem mandados de prisão até o momento. Também houve diligências em Sinop, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Nova Ubiratã, Boa Esperança do Norte, Campo Verde, Colíder e Cuiabá, além de ações em outros estados, como Paraná, São Paulo, Pernambuco e Maranhão. Durante as buscas em Sinop, foram apreendidas armas de fogo e munições, e alguns flagrantes foram registrados em delegacias da região.
O tenente-coronel Frederico Corrêa explicou que os números ainda são preliminares e podem mudar com o avanço das perícias. O material recolhido inclui celulares, computadores e documentos, que serão analisados para identificar como funcionava a estrutura do grupo e suas ligações financeiras. A Justiça também autorizou quebras de sigilo bancário e fiscal, bloqueio de contas e restrições sobre bens, além da apreensão de caminhões, carretas e veículos utilizados nas atividades investigadas.
A operação contou com apoio de mais de 100 policiais militares. O comandante da PM em Sorriso, tenente-coronel Jorge Almeida, destacou que a corporação atuou na parte operacional para garantir a segurança das equipes durante o cumprimento das ordens judiciais. Os investigadores apontam indícios de uma organização estruturada em diferentes núcleos, com empresas de fachada e movimentações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas. Novas fases da operação não estão descartadas.